A “honestidade radical” vem ganhando espaço na ficção de um tempo pra cá. Séries, filmes e peças de teatro têm a abordado de uma maneira, no mínimo, interessante e inusitada. Levá-la pra vida real será que é uma boa ideia?!
Recentemente Jürgen Schmieder, um jornalista alemão, fez um experimento sobre o tema “mentira”. Ele tentou por 40 dias ser totalmente sincero, isso quer dizer, sinceridade absoluta: no casamento, na declaração de imposto de renda, com ele mesmo e até no pôquer.
Durante esses dias ele falava o que vinha na mente, sem freios na língua e sem aquele medo natural que todos nós temos de ofender. O objetivo, segundo ele, era comprovar um estudo de 1997 da Universidade da Califórnia do Sul (EUA), que afirma que o ser humano mente, em média, 200 vezes ao dia (pouca coisa, não?).
O resultado de tudo isso? Ele quase perdeu um tantinho considerável de amizades, acabou dormindo no sofá depois de chamar a esposa de gorda, apanhou porque denunciou a pulada de cerca de um amigo e recebeu alguns insultos. A experiência do alemão virou livro e atualmente ele já voltou a sua vida de mentirinhas casuais.
Schmieder estava praticando o que o personagem Eli Loker, da série Lie To Me (que eu sou fã pra caramba, falando nisso), chama de "honestidade radical”. Essa forma super sincera de levar a vida tem ganhado espaço na ficção de uns tempos pra cá. Filmes, séries e programas de TV tem abordado a sinceridade de uma forma, no mínimo, interessante. Entre alguns exemplos estão: o extinto quadro “Super Sincero” apresentado no Fantástico, os filmes “O Mentiroso” (com Jim Carrey – um clássico da Sessão da Tarde) e “A Invenção da Mentira”, que mostra como seriam as relações humanas em um mundo onde ninguém mentisse.
Não sei você, mas eu adoro acompanhar séries e filmes do gênero. Se a gente for parar para pensar, a sinceridade (mesmo que absoluta e exagerada) é algo que dá gosto de ver. Além do mais, é divertida.
A maioria das pessoas que nos pergunta “tudo joia?”, por exemplo, não dão a mínima para como nós estamos. Não que isso seja completamente ruim, afinal essas pessoas mostram educação e respeito quando fazem perguntas do tipo. O que eu quero dizer é que a partir do momento em que a gente passa a responder, com sinceridade, perguntas como essa, as pessoas se surpreendem. Elas não estão preparadas para respostas supersinceras num mundo cheio de hipocrisia e por isso, é tão divertido observar as suas reações. Isso explica o porquê dessas séries/filmes ser tão legais, a sinceridade garante a diversão.
Aí que surgi o maior questionamento, levar a sinceridade radical para a vida real como fizeram os personagens desses filmes e como fez o jornalista alemão será que é uma boa ideia?! Eu SINCERAMENTE acho que vale a tentativa. Mentir é uma coisa que tanto a religião quanto a sociedade condenam. As pessoas esperam sinceridade uma das outras. Os filhos com os pais, as esposas com os maridos, o patrão com os funcionários, todos esperam ouvir a verdade, nem que ela doa pra burro, em certos momentos.
Bora começar agora? O que você achou desse post? E desse blog? E daquele presente que eu te dei de aniversário?! Eu quero a sinceridade!!